Roteirização: o caminho estratégico

Publicado por Rafaela Teruel em

Roteirização

Segundo pesquisa do Instituto de Logística e Supply Chain, denominada Custos Logísticos no Brasil – 2017, as empresas gastam 7,6% da sua receita líquida com processos logísticos, dentre eles o que tem maior peso é o transporte, responsável por metade deste custo total. Para diminuir esse valor, uma das estratégias mais recomendadas é a roteirização, a qual abordaremos mais profundamente nos tópicos a seguir.

Roteirização: o quê é?

A roteirização é a definição estratégica do trajeto a ser percorrido. Quando falamos de frotas, por exemplo, ela cumpre um importante papel para que a mercadoria chegue ao seu destino de forma segura, rápida e com menor custo.

Qual o seu objetivo?

O objetivo da roteirização é otimizar processos logísticos, criando um itinerário para o transporte de cargas, por exemplo. Com ela, há melhor funcionamento da cadeia de Supply Chain, além da redução de custos.

Como ela pode ajudar sua empresa?

A roteirização facilita alguns processos da empresa, como a organização e controle das cargas e dos elementos que compõe o processo de transporte (motorista, veículo, combustível…). Assim sendo, otimiza a produtividade e auxilia o monitoramento de toda a cadeia logística.

Vantagens da roteirização

Traçar rotas não é tarefa fácil, mas quando bem feita, traz grandes vantagens à empresa, tais como:

  • Economia de tempo;
  • Economia de dinheiro;
  • Maior segurança da carga transportada e do motorista;
  • Menor queima de combustíveis e consequentemente de poluentes liberados na natureza;
  • Melhora na produtividade;
  • Viagens mais curtas e com paradas estratégicas;
  • Otimização dos resultados.

Em que nível se classifica?

A roteirização é uma atividade de nível operacional, pois trata de um processo de otimização, tendo como objetivo traçar as melhores rotas, sejam urbanas, intermunicipais, interestaduais ou internacionais.

Como é feito o planejamento das rotas?

O planejamento das rotas deve levar em conta vários fatores de suma importância ao processo logístico, tais como:

  • O tamanho da frota;
  • O veículo utilizado;
  • O material transportado;
  • As opções de trajetos e quais os riscos que cada um representa;
  • O tempo de cada rota;
  • A segurança da carga (incluindo a preservação de sua integridade, no caso, evitando possíveis danos ao material transportado);
  • Custos envolvidos (desde o combustível, até o frete e o custo de monitoramento dos veículos, dentre outras variáveis).

Quem faz a roteirização?

O profissional responsável por elaborar estrategicamente as rotas e desenhar o percurso a ser percorrido pela frota e, consequentemente, pela carga pode ser o Analista de Transporte ou Analista de Tráfego. Há ainda o profissional qualificado como Coordenador de Tráfego, que está hierarquicamente acima dos analistas e cuja função é coordenar os processos, fiscalização e operações de trânsito, considerando as condições de tráfego, cumprimento de horários e trajetos.

Qual o salário de cada um desses profissionais?

Em média, para um Coordenador de tráfego, o salário gira em torno de R$ 4.035,60  (Segundo pesquisa da Catho). Já para os cargos de analista, o salário médio pode variar de R$ 2.000,00 à R$ 3.000,00 (Dependendo da empresa e região do país).

Qual o resultado para a empresa?

Como já falamos, a pontualidade e a redução de custos (inclusive de tempo também) são os principais resultados para a dinâmica logística da sua empresa, a qual afetará positivamente todos os outros setores organizacionais (ainda que indiretamente).

Principais softwares de roteirização

Separamos alguns dos softwares mais utilizados no mercado brasileiro (lembrando que geralmente esses softwares acabam pedindo grande investimento, mas quando olhamos a relação de custo-benefício, o valor acaba valendo à pena)

  • Trucks;
  • RoadShow da Routing;
  • Road Net;
  • Easy Router

Problemas de Roteirização

Basicamente, segundo o professor Luiz Claudio Gonçalves (o qual leciona na Fatec Zona Sul de São Paulo), um problema real de roteirização é definido por três fatores fundamentais: decisões, objetivos e restrições. As decisões dizem respeito à alocação de um grupo de clientes, que devem ser visitados, a um conjunto de veículos e motoristas, envolvendo o sequenciamento (quem e quando) dessas visitas.

Como objetivos principais, o processo de roteirização, busca propiciar um serviço de alto nível aos clientes, mas ao mesmo tempo mantendo os custos operacionais e de capitais tão baixos quanto possível. Por outro lado o processo, deve obedecer a certas restrições. Em primeiro lugar, deve-se completar as rotas com os recursos disponíveis, mas cumprindo totalmente os compromissos assumidos com os clientes. Em segundo lugar, deve-se respeitar os limites de tempo impostos pela jornada de trabalho dos motoristas e ajudantes. Finalmente, devem ser respeitadas as restrições de trânsito, no que se refere às velocidades máximas, horários de carga/descarga, tamanho máximo dos veículos nas vias públicas, etc. Ainda segundo Gonçalves:

Os problemas de roteirização podem ser classificados em três grandes grupos:

a) Problemas de roteirização pura de veículos.

b) Problemas de programação de veículos e tripulações.

c) Problemas combinados de roteirização e programação de veículos.

a) Roteirização Pura de Veículos (RPV)

O problema de roteirização pura de veículos é, basicamente um problema onde as condicionantes temporais não são consideradas na geração dos roteiros para coleta e/ou entrega. Em alguns casos, a restrição de comprimento máximo da rota pode ser considerada.Assim sendo, o objetivo é definir uma seqüência de locais (a rota) que cada veículo deve seguir a fim de se atingir a minimização do custo de transporte.

MÉTODOS DE RPV

Caixeiro viajante – Consiste em determinar uma rota de mínimo custo que passe por todos os nós de uma rede, exatamente uma vez. Esse problema admite que o veículo que irá efetuar o roteiro não seja limitado por restrições de tempo, de capacidade, etc.

Problema de roteirização em nós com um único depósito – Clássico problema de roteirização de veículos, surge quando existem restrições de tempo ou capacidade dos veículos. É uma extensão do problema do caixeiro viajante. Aqui a determinação de itinerários dos veículos implica em se fazer entregas a partir de um depósito para vários pontos de parada, de forma a minimizar a distância total a ser percorrida por toda a frota.

b) Problemas de Programação de Veículos e Tripulações (PPVT)

Os PPVT podem ser considerados como problemas de roteirização com restrições adicionais relacionadas aos horários em que várias atividades devem ser executadas. Há um tempo associado a cada tarefa a ser executada. Por exemplo, cada ponto de parada pode requerer que o atendimento seja feito em um horário específico. Assim, as condicionantes temporais devem ser consideradas explicitamente no tratamento do problema.

Os PPVT classificam-se em dois grupos:

  • Programação de veículos;
  • Programação de tripulações.

Esses dois tipos de problemas são essencialmente semelhantes, embora o problema de programação de tripulações envolva restrições mais complexas como horário de parada para almoço e outros aspectos de natureza trabalhista.Esses dois tipos de problemas interagem entre si, ou seja, a especificação da programação dos veículos definirá certas restrições na programação das tripulações e vice-versa.

Problema de programação de veículos com restrições de comprimento de – Considera restrições de tempo máximo de viagem ou de distância máxima percorrida pelo veículo antes desse voltar para o depósito. Essa restrição é comumente encontrada na prática e corresponde a restrições de combustível, considerações de manutenção, etc.

Problema de programação de veículos de vários tipos. Considera a possibilidade de que veículos com diferentes capacidades estejam disponíveis para realização das tarefas.

Problema de programação de pessoal em turnos de revezamento – Caracteriza-se pela programação diária que varia de um dia para outro, havendo um rodízio de turno de pessoal, em função de restrições legais, trabalhistas, sindicais, de equalização de esforço de trabalho e outras.

Problema de programação de veículos e tripulações no transporte público de massa – Consiste em determinar a alocação ótima de veículos a um conjunto de viagens programadas de linhas, e determinar também as jornadas das tripulações, considerando que as trocas de serviço e de turno só podem ser realizadas em pontos específicos dos trajetos das linhas.

c) Problemas Combinados de Roteirização e Programação de Veículos (PCRPV)


Quando existe a ocorrência de aplicações com restrições de janelas de tempo (horário de atendimento) e de precedência de tarefas (coleta deve preceder a entrega e ambas devem estar alocadas ao mesmo veículo), o problema pode ser visto como um problema combinado de roteirização e programação de veículos.

Problema de definição de roteiros e programação de serviços de coleta de resíduos domiciliares e de varrição de ruas – é semelhante ao problema do carteiro chinês, porém com restrições de capacidade dos veículos, de duração máxima da jornada e de janelas de tempo associadas aos horários de proibição de estacionamento, de forma a possibilitar a execução do serviço.

Problema de roteirização e programação de ônibus escolares para atendimento de um conjunto de escolas – consiste de um número de escolas e cada uma delas possui um conjunto de paradas de ônibus com um dado número de estudantes vinculados a cada uma dessas e uma janela de tempo correspondente aos horários de início e término do período escolar.

(Observação: Os últimos tópicos deste texto são de autoria de Gonçalves, podendo serem lidos na íntegra clicando aqui)

Considerações finais

A roteirização é uma excelente estratégia para quem procura definir os melhores trajetos e reduzir custos. Ela deve levar em conta as condições das vias, a segurança do capital humano e todas as variáveis que interferem no processo (situação econômica, limites de velocidade, fator climático, etc). Ao longo do artigo, vimos métodos, estratégias e softwares que auxiliam na escolha das rotas e também mostramos quais problemas elas podem causar, afim de proporcionar uma experiência completa ao nosso leitor.

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1 comentário

Controle de frotas: saiba como fazer - expologistica.com.br · 11/07/2019 às 6:21 pm

[…] combustível , dentre outras variáveis cuja importância será determinante para a definição da roteirização a ser seguida. Mas qual a importância da roteirização para se ter um bom controle de frotas? […]

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